Tratando de dores crônicas com o CBD

Pra quem mora no Japão é muito fácil comprar o CBD, sigla para “Canabidiol”, composto derivado da canabis medicinal reconhecido em diversos tratamentos, sendo que um dos principais se refere às dores crônicas. Saiba um pouco mais sobre a canabis medicinal e seu uso nos tratamentos para dor aqui no artigo.

 

Via de regra, os brasileiros que moram no Japão vieram para trabalhar, seja na fábrica ou em alguma empresa como trabalhador especializado, mas algo que ninguém escapa é o excesso de trabalho e a rotina cansativa. Para alguns esse dia-a-dia pode ser mais exigente que outros, com excesso de horas de trabalho, exigências físicas e mentais.

Uma das queixas mais comuns entre os trabalhadores são as dores derivadas do trabalho. Seja pelo esforço físico exigido nas fábricas, carregando peso ou muitas horas na linha de produção, seja por muitas horas sentado no escritório na frente do computador em mobiliário não apropriado ergonomicamente.

As dores crônicas geralmente aparecem com um episódio de dor aguda, que é tratada com analgésicos e anti-inflamatórios, mas que persiste porque o ambiente causador da dor não é modificado. No nosso contexto de trabalho, as dores aparecem por conta do serviço desempenhado, via de regra o trabalhador solicita a mudança de ambiente ou mudanças na forma de desempenhar o trabalho, mas poucas vezes é atendido, o que perpetua a origem da dor contribuindo para que ela se torne crônica.

Entre as dores mais comuns estão as na coluna, joelhos, ombros, pescoço, mãos e pulso. Quando a dor se torna incapacitante é necessário um atestado médico para solicitar o afastamento por doença, decorrente de lesão no trabalho, algo que muitas empreiteiras e fábricas japonesas evitam liberar ao trabalhador por complicações com órgãos de fiscalização do trabalho. Não é incomum verificar que diante dessa situação o afastamento só é liberado sob a justificativa que a lesão não teve qualquer relação com o trabalho, algo ilegal e que prejudicará o trabalhador, uma vez que não terá assistência para o tratamento de sua doença, ao mesmo tempo que a empresa continuará lesando outros trabalhadores.

 

Tratamentos convencionais

Os tratamentos convencionais estão baseados em medicamentos analgésicos, que aliviam a dor, mas não tratam, e anti-inflamatórios, medicamentos que atuam na diminuição da inflamação, possibilitando que o corpo se recupere. No entanto, essa forma de tratamento acaba gerando um ciclo, uma vez que o trabalhador não tem escolhas quanto ao seu trabalho. Em resumo, o trabalhador é afetado pelo trabalho que lhe provoca uma lesão, faz uso de analgésicos e anti-inflamatórios, mas não tem como sair daquele trabalho que lhe prejudica, as medicações trazem alívio momentâneo, mas as dores retornam num segundo momento, reiniciando o ciclo.

Em alguns casos, os médicos indicam fisioterapias ou descanso de alguns dias em casa. Em casos mais graves também pode haver indicação de cirurgia.

Em alguns países, os médicos reconhecem os efeitos maléficos do trabalho na saúde e interferem ativamente nessa questão, como podemos verificar na França. No Japão, os médicos parecem entender que os imigrantes chegam ao país para trabalhar o máximo possível e isso trará consequências inevitáveis para a saúde, reservando-lhes o lugar de apenas remediar a situação com o alívio da droga, posição passiva e lamentável dos médicos japoneses.

Para a maioria dos imigrantes brasileiros, quando a situação fica insuportável só resta retornar ao Brasil para iniciar um tratamento adequado, longe do que lhe provoca a dor, mas nessa altura a situação já não é totalmente curável, sendo que a pessoa terá que viver com dores pelo resto da vida, muitas vezes a afetando psiquicamente. Não são raros os casos de depressão decorrentes da impossibilidade de trabalhar e do fato de conviver com dores crônicas intensas. Além do mais, o fato de retornar ao Brasil com pouco ou sem dinheiro e ser sustentado pela família, torna-se motivo de vergonha intensificando o sofrimento psíquico.

Apesar de tudo isso, ainda temos mais um ponto importante a ser abordado: o uso contínuo de analgésicos e anti-inflamatórios gera sequelas em outros órgãos, como estômago, fígado e rins. Infelizmente, essas medicações não foram feitas para uso prolongado e contínuo, pela sobrecarga do organismo no processo de metabolização.

 

Tratando dores crônicas com canabis medicinal/CBD

O tratamento das dores crônicas com a cannabis foi uma das primeiras comprovações científicas que tivemos para uso da cannabis. No entanto, precisamos deixar claro que aqui no Japão existem restrições para a compra e comercialização de produtos a base de cannabis, e essas restrições também nos limitam terapeuticamente.

Até o momento, os produtos derivados da cannabis só podem ser comercializados desde que não tenham THC em nenhuma quantidade, além disso devem ser feitos somente das sementes e caule da planta.

Na realidade, essa postura do Japão em sua guerra às drogas, uma das mais severas do mundo, acaba por deixar o mercado aberto apenas para produtos de qualidade inferior, uma vez que os componentes mais terapêuticos estão nas flores e folhas. Mesmo assim, a possibilidade de podermos compra esses produtos em lojas da internet, sem precisar de receita médica, também nos abre muitas possibilidades de apoio em quadros de dor (além de muitos outros).

Existem diversos receptores no nosso corpo que respondem à cannabis, distribuídos em todos os órgãos, inclusive no cérebro. Essa rede de receptores forma o que chamamos de Sistema Endocanabinoide, ou seja, temos um sistema interno bastante complexo que responde inteiramente à cannabis, daí a razão de ela ser tão importante para nossa saúde. A função desse sistema é de regular todos os outros sistemas que temos, o digestório, respiratório, imunológico, etc. O sistema Endocanabinoide é o maestro do nosso corpo e quando algo não vai bem, ele precisa de uma ajuda externa através dos fitocanabinoide, ou seja, através da cannabis.

No caso da dor, a cannabis tem o poder de trazer alívio, na medida em que age no nosso sistema interno que também é responsável por produzir canabinóides do próprio corpo, entre eles temos a Anandamida que é produzida em situações de dores extremas para trazer alívio imediato. Mas é também através da modulação neuronal que a dor é controlada, agindo na liberação e cálcio na fenda sináptica.

Termos técnicos à parte, o que é importante de saber é que a cannabis, diferente das medicações tradicionais, age no nosso corpo de forma integral, atuando no equilíbrio dos nossos sistemas internos. Além do alívio da dor, ela também traz alívio da ansiedade, melhora o sono e relaxa os músculos. Todos esses fatores são importantíssimos para quem tem dores crônicas.

A cannabis na forma como é vendida no Japão, não produz dependência e não sobrecarrega os órgãos responsáveis pelo seu metabolismo, embora tenhamos peculiaridades de pessoa para pessoa na velocidade dessa absorção. Por esse motivo as doses sempre são personalizadas, ou seja, não há dose padrão e é importante estar atento às reações adversas, assim como as interações medicamentosas.

No resumo, o tratamento para dores crônicas através do uso medicinal da cannabis é uma opção que não apresenta perigo, embora alguns possam ter leves efeitos colaterais. Inclusive é uma alternativa muito melhor ao uso dos opioides, como por exemplo o Tramal, medicação derivada do ópio capaz de provocar dependência muito rapidamente e overdose.

No Japão ainda estamos limitados, mas o uso do CBD já é uma importante alternativa de tratamento.

 

 

O Amae Institute é um espaço de atendimento psicanalítico, formação e reflexão em Saúde Mental para brasileiros no Japão.

Realizamos atendimentos particulares por videoconferência.

Os valores das sessões de psicanálise são combinados caso a caso diretamente com o analista.

Também realizamos orientações para o uso do CBD.

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