Quanto custa a sessão de psicanálise?

Geralmente quando uma pessoa resolve passar por uma sessão de psicanálise, uma das primeiras questões levantadas é o custo monetário da sessão? Sempre há surpresa ao saber que na psicanálise lacaniana não há custo fechado, mas um acordo entre o analista e o analisando e o que está em jogo é o quanto vale a análise para a pessoa que procura, não exatamente o quanto custa.

 

O dinheiro na psicanálise não está restrito ao simples pagamento de um serviço, embora seja com esse pensamento que chegamos para as sessões. Além de efetivar um pagamento, o dinheiro é um instrumento de intervenção de análise, ou seja, logo na conversa sobre o quanto vai custar cada sessão de análise algo da própria análise já está em via de operar.

Isso porque o dinheiro condensa muitas coisas, ele é um objeto privilegiado. Para além de um equivalente universal que possibilita comprar qualquer objeto ou serviço, ele integra a fantasia do ser humano como objeto hipervalorizado. Portanto, nele também está presente nossa fantasia inconsciente.

A relação de cada pessoa com o dinheiro é peculiar, temos aqueles conhecidos como avarentos ou muquiranas, aqueles que não conseguem manter seu dinheiro, outros demandam o dinheiro para família e amigos independente de seu salário, há também aqueles que não conseguem deixar de ter uma dívida, mesmo que estejam em condições materiais confortáveis. Notem que aqui não estamos querendo passar a noção de que qualquer relação que tenhamos com o dinheiro passa somente pela questão inconsciente, deixando de lado toda a conjuntura do capitalismo, principalmente num país como o Brasil, marcado por ser a periferia do capitalismo.

Justamente pelo dinheiro ter essa relação tão privilegiada com nossas questões inconscientes que ele não pode ser padronizado em psicanálise. Para cada sujeito que chega, um valor é acordado e durante a análise esse valor pode ser modificado.

 

Mas como propor um valor para o analista?

Muitas pessoas ficam envergonhadas ou ansiosas com o fato de ter de fazer uma proposta para chegar a um valor, apesar desse processo também já ser importante para a análise (e é importante que o analisando fale sobre isso) sempre podemos chegar num acordo, pois o mais importante é que haja desejo de análise.

Um analista não deve ser procurado como alguém que oferece um serviço qualquer e, por esse motivo, ser escolhido pelo custo monetário mais barato. Escolhemos um analista porque algo nos chama atenção e nossa escolha é concretizada quando podemos nos imaginar numa análise com ele. O fator que nos leva a escolhe-lo pode parecer banal, como receber uma indicação de alguém que gostamos ou admiramos, porque nos identificamos com alguma característica física do analista, porque ele escreveu um livro que gostamos ou porque vimos em um vídeo ou palestra e gostamos de seu tom de voz ou alguma característica física. Esse detalhe inicial que nos faz pensar que podemos ter uma boa relação com o analista chamamos de transferência, e ela permanecerá durante o processo de análise.

Embora os valores sejam combinados caso a caso, isso não significa que qualquer valor seja aceito. Via de regra, os analistas possuem valores bases que abaixo deles não conseguem arcar com tudo que precisam para oferecer uma análise, como por exemplo, aluguel e gastos do espaço em que atende, gastos com internet e equipamento para mídia, para falar do que é mais concreto, mas também o que está ligado à sua formação, que na psicanálise é uma formação permanente (que nunca termina e que precisa de muitos anos para que cada pessoa se autorize a ser psicanalista). Então, temos também os gastos com as instituições de psicanálise que oferecem espaço para discussão, estudo continuado e discussões clínicas, mas também gastos com supervisões de caso e com nossa própria análise pessoal, sem a qual ninguém se torna analista.

 

Peculiaridades do Japão

A maioria dos brasileiros que estão no Japão vieram para trabalhar nas fábricas e é a realidade da fábrica que permeia o cotidiano dos brasileiros, mesmo que não esteja nela. Quando estamos nas fábricas nos restringimos aos grupos de brasileiros, quando estamos fora dela permanecemos nos mesmos grupos e conversamos sobre o que ocorre em nosso trabalho. Os brasileiros que interagem em grupos diferentes dos grupos compostos por brasileiros são exceção nesse contexto.

As contratações são realizadas através de pagamento por hora de trabalho, sendo que existem várias empreiteiras especializadas em contratação de brasileiros oferecendo seu valor. Este valor acaba por ser um valor base na dinâmica da equivalência entre as coisas: uma hora do trabalho equivale geralmente a x ienes e muitas vezes é esse valor oferecido ao analista pela sessão de psicanálise.

Outro fato importante que se leva em comparação para se chegar num valor pela análise é o que é cobrado quando vamos ao médico. No Japão há um sistema de seguro em saúde, do governo japonês, com esse seguro cada ida ao médico corresponde ao pagamento de 30% do valor total, pois o governo garante o pagamento de 70% desse valor. De modo que muitas pessoas, quando fazem essa relação do valor de uma sessão com o valor de uma consulta médica não consideram que estão pagando somente 30% e que a psicanálise não é coberta pelo sistema de seguro japonês.

 

Concluindo

O Japão, diferente de outros países, não tem uma cultura voltada para a fala em momentos de sofrimento. Existe uma vergonha que permeia os japoneses quando precisam de ajuda em alguma situação de sofrimento psíquico, esta vergonha permanece ainda nos dias de hoje e os descendentes brasileiros também carregam uma parte dessa relação passada pelos seus pais ou avós.

Também precisamos frisar que nossa cultural atual está baseada na procura da medicação milagrosa e na crença da organicidade para explicar o sofrimento psíquico, descartando a cura pela fala.

Psicanálise no Japão é algo novo, embora o contato com a psicanálise tenha se dado em um momento anterior ao do Brasil, mas sua permeabilidade cultural esteve muito mais restrita. Hoje em dia existem vários psicanalistas no Japão, principalmente em Tóquio, no entanto muitos deles são estrangeiros e são procurados por estrangeiros. É lentamente que o Japão se abre para essa possibilidade de tratar os sintomas pela fala, fazendo emergir o inconsciente.

Então, nossa pergunta inicial sobre quanto CUSTA uma sessão de psicanálise, pode ser melhor desenvolvida da seguinte forma: quanto VALE uma sessão de psicanálise? Ela vale a possibilidade de não entrar na biografia medicalizante que torna as pessoas cronificadas, vale a possibilidade de costurar lembranças vividas e não entendidas à sua história de vida, vale o fato de poder resgatar situações que fizemos questão de esconder de nós mesmos porque representavam algo muito intenso e, assim, poder compreender o que essa situação definiu em nossa forma de ser, vale entender porque repetimos o mesmo padrão de más escolhas de parceiros ou qualquer outra repetição em nossas vidas e não repetí-las mais. É esse valor que corresponde o dinheiro em análise.

Pagar com dinheiro é a possibilidade que se tem para não se pagar com sintomas. Pagamos com dinheiro na análise para não pagar na vida com ansiedade, depressão, repetições, angústia e todo os mal-estares psíquicos.

O Amae Institute é um espaço de atendimento psicanalítico, formação e reflexão em Saúde Mental para brasileiros no Japão.

Realizamos atendimentos particulares por videoconferência.

Os valores das sessões de psicanálise são combinados caso a caso diretamente com o analista.

Também realizamos orientações para o uso do CBD.

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