Como é uma sessão de psicanálise?

Se você não é da área psi e nunca conheceu alguém que já esteve em análise, talvez fique intrigado quando ouve falar em psicanálise. O que seria exatamente uma sessão de psicanálise e quando uma pessoa deveria buscar por ela? Essas podem ser alguma das perguntas que você tem.

 

“Processo de análise pessoal” é o nome que damos para as sessões oferecidas a partir do referencial da psicanálise, quem frequenta as sessões de psicanálise está em processo de análise, é assim que falamos. O psicanalista que atende é o analista e a pessoa recebida é o analisando.

Geralmente quando nos referimos a psicanálise a imagem que nos vem a mente é a de Freud, justamente a figura que escolhemos para ilustrar esse artigo. Freud é conhecido como o pai da psicanálise, foi ele que construiu a teoria inicial a partir de sua experiência na Europa do século XIX e XX.

Freud era médico neurologista e voltou-se para uma questão que atingia muitas mulheres de sua época: sem justificativas orgânicas muitas mulheres apresentavam paralisias dos membros inferiores ou outros sintomas como tosses, desmaios, entre outros. No início Freud trabalhava com a hipnose para conseguir desvendar as ligações dos sintomas manifestos com sua origem traumática, mas logo percebeu que a hipnose era um recurso desnecessário e que a partir da fala conseguiria acessar esse mesmo conteúdo de uma forma muito melhor.

Freud muito sabiamente reconheceu que os sintomas eram uma expressão do inconsciente, ou seja, a instância da mente da qual não temos controle e que os sintomas se manifestam a partir de algo que recalcamos, termo que define algo que “escondemos” em nossa mente por ser insuportável.

Estariam criadas as bases da psicanálise a partir daí: reconhecimento da existência do inconsciente, denominado de “id” ou “isso” por Freud, revelando que não temos controle de tudo que fazemos e mais, de que somos mais definidos por essa instância que pela consciência. Além disso, os sintomas em psicanálise estariam ligados ao processo de recalcamento e sua cura viria com a fala.

 

O que é a psicanálise?

A cura pela fala é uma outra forma de descrever o que é a psicanálise, já que o processo de análise acontece através da fala da pessoa.

Geralmente quem procura um psicanalista está passando por algum período conturbado da vida, via de regra com alguns sintomas que são bastante difundidos pela psiquiatria em nossos dias, mas que para a psicanálise são fenômenos que mostram que algo precisa ser revisitado na história do sujeito para que aconteça uma reelaboração, para que tenha um novo significado. Então, não importa se seu problema seja melhor definido como depressão, bipolaridade, ansiedade, angústia, síndrome do pânico, pois o que está em jogo é o sofrimento psíquico que o sujeito apresenta.

Diferentemente de uma consulta médica, onde falamos o que sentimos e o médico nos dá uma receita, na Psicanálise não há receita, mas uma jornada onde o sujeito que nos procura refletirá sobre sua vida, suas ações e poderá ele próprio reconhecer seu saber sobre seus sintomas. A resposta não vem do médico, mas da própria pessoa que está em análise.

A psicanálise propõe que a partir da fala o analista possa reconhecer o que é manifestação do inconsciente e através do sublinhamento e escanções a pessoa em análise possa reconhecer ligações que passaram despercebidas, dessa forma os sintomas ganham novos significados e com o tempo tornam-se coisas banais, ou seja, com o tempo de análise aquilo que provavelmente te levou até o psicanalista como algo que lhe limitava, ou causava angústia, te trazia intenso mal-estar, passa a ser uma coisa corriqueira da vida, sem o peso do início, em suma, um sintoma banal.

 

Todo psicanalista é igual?

Com certeza não. Cada psicanalista tem seu perfil de psicanalista, alguns podem ser mais diretos, outros mais “irônicos”, alguns falam bem pouco e outros falam menos ainda (quem tem que falar na análise é quem a procura), mas para além dessas características pessoais do analista também existem diversas correntes teóricas dentro da psicanálise e isso define como cada psicanalista entende a direção do tratamento.

 

Como são as sessões de psicanálise?

Aqui precisamos fazer uma ressalva: em tempos de pandemia pode ser que as sessões sejam propostas de forma remota (on line), através de alguma plataforma via internet que permita chamadas de videoconferência ou até mesmo por uma ligação de voz sem vídeo, a depender do analista e das condições materiais como internet de boa qualidade e computador com acessórios adequados.

Houve um tempo que as sessões eram de preferência presenciais e somente aqueles que já estavam em processo de análise por um tempo considerável tinham a autorização do analista para fazer sessões remotas, diante de algum imprevisto ou diante de contingências da vida. Mas isso mudou com a pandemia que se iniciou em 2019.

Mesmo os analistas mais tradicionais reconhecem que é possível ter os mesmos elementos de uma análise presencial em uma sessão intermediada pela internet, e ainda, essa última modalidade nos permite alcançar pessoas do mundo inteiro com ferramentas que ainda estamos descobrindo.

Inicialmente você será recebido no consultório ou em uma sala virtual para a primeira sessão, nela você vai falar tudo que quiser, tudo que lhe incomoda, seus sintomas, sobre o que acha importante dizer sobre sua vida. Nesta sessão você pode fazer alguns acordos com o analista, como o valor das sessões, a frequências, dias e horários.

Nas primeiras sessões no consultório você se sentará em uma poltrona ou em um sofá, o divã é reservado para uma passagem importante: a entrada propriamente dita em análise. Quando a pessoa saiu do primeiro momento e conseguiu fazer relações, teve insights, produz conteúdo para a análise como sonhos, é o momento onde o analista vai considerar marcar com a passagem para o divã. No divã o sujeito está livre do olhar do analista e poderá falar mais livremente.

Após Freud, muitos outros psicanalistas continuaram a desenvolver a teoria psicanalítica, sendo que hoje temos uma grande variedade de orientações. Enfatizaremos aqui a psicanálise de Jacques Lacan, psicanalista francês que viveu no século passado (XX) e que desenvolveu a psicanálise a partir de um retorno a Freud.

Lacan definiu o tempo das sessões psicanalíticas a partir do tempo lógico, ou seja, sem se apegar ao tempo que o relógio conta (tempo cronológico). No tempo lógico o que está em jogo é o tempo que leva para o sujeito falar daquilo que é central em sua questão: ao acessar esse conteúdo em análise o psicanalista pode escolher fazer um corte, ou seja, o psicanalista pode sublinhar o conteúdo falado e encerrar a sessão, mesmo que tenha transcorrido pouco tempo desde a chegada do analisando. Este recurso permite aprofundar as questões para a próxima sessão, uma vez que o sujeito esteja envolvido com o processo.

A direção do tratamento acontece na busca pelo desejo, mas não se trata de desejo como sinônimo de sonho a ser realizado. O conceito “desejo” é definido por aquilo que dá sentido à vida, aquilo que faz uma pessoa querer viver. Seu conteúdo concreto muda de acordo com a passagem do tempo e o desejo em si nunca é alcançado. Muitas pessoas que chegam à clínica perderam seu desejo e manifestam isso através dos sintomas inconscientes. A cura seria o “resgate” desse desejo, através do deciframento do inconsciente, tornando os sintomas banais.

O Amae Institute é um espaço de atendimento psicanalítico, formação e reflexão em Saúde Mental para brasileiros no Japão.

Realizamos atendimentos particulares por videoconferência.

Os valores das sessões de psicanálise são combinados caso a caso diretamente com o analista.

Também realizamos orientações para o uso do CBD.

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